quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

~ Querida Desconhecida

Existem alguns momentos na vida em que a realidade é tão dura que sonhar pode ser a única escapatória da loucura. Esse era um daqueles dias na vida da jovem, ela não era a mais bonita da turma nem a mais inteligente, mas tinha algo que a fazia ser querida por quase todos os da sua classe e ela se sentia feliz por isso. Sempre prestativa, fazia questão de ouvir os amigos nas horas de dificuldades e ajudá-los da forma que podia, e assim ela se tornou uma grande conhecedora daqueles que estavam lhe rodeando e até que ela era feliz assim, até aquele fatídico dia.

Ela sentia-se triste e consumida, nada que o passar dos dias pudesse resolver, mas até lá ela ficava imaginando situações que talvez nunca fosse viver. Distraída em seus próprios sonhos, foi atravessar a rua para pegar o caminho para casa, mas naquele dia, nunca chegou a pisar na outra calçada. Não fora culpa daquele prudente motorista, ela entrou com tudo na frente do carro, houve quem falasse em suicídio, mas ela nunca faria aquilo consigo, amava demais a vida.

Em poucos segundo havia dezenas de rostos conhecidos ou não em torno dela, e ela, que nunca fora o centro de todas as atenções, estava inconsciente de que agora o era. Não tardou para que os paramédicos chegassem, o sangue fora precariamente contido, mas não estancado, parte do asfalto estava vermelho e ela parecia mais pálida a cada instante. Quando os homens de branco a imobilizaram, viraram para os mais próximos, os que pareciam mais aflitos, aqueles que pareciam ser seus amigos.

- Sabem o tipo sanguíneo da garota? Ou se tem alguma alergia? Perguntou aquele que parecia ser o chefe dos paramédicos.

O grupo que observava encarou uns aos outros esperando por uma resposta que nunca veio. Mesmo depois de tanto tempo de convívio, deram-se conta que nada sabiam sobre ela.